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title: "Quanto investir em tráfego pago? O método sem chutar"
url: https://williampujol.com.br/blog/quanto-investir-trafego-pago
author: William Pujol
published: 2026-10-07T15:00:00.000Z
updated: 2026-10-07T15:00:00.000Z
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# Quanto investir em tráfego pago? O método sem chutar

## Em resumo

Aprenda a definir quanto investir em tráfego pago a partir da margem, do custo por cliente e do volume que o algoritmo precisa, com exemplos por negócio.

- A verba de tráfego pago parte do custo máximo por cliente que a margem suporta, e não de um valor diário genérico.
- Verba mensal é o custo máximo por cliente multiplicado pelo número de clientes que você quer conquistar.
- No Meta Ads, o custo real é 13,83% maior que o valor do gerenciador por causa dos impostos repassados desde 2026.
- A verba precisa gerar eventos suficientes para o algoritmo aprender; no Meta, cerca de 50 por semana em cada conjunto.
- Aumente a verba em degraus, só quando o custo real estiver estável e o atendimento der conta de mais contatos.

Quanto investir em tráfego pago depende de quanto você pode pagar por cada cliente e de quantos clientes quer conquistar. A verba é consequência dessas duas respostas, e não um número que se escolhe antes delas. Neste artigo, eu mostro o método que uso para chegar nesse valor sem chutar.

Esse é um dos temas que eu mais vejo tratados com atalhos. "Comece com R$ 30 por dia", "invista 10% do faturamento", "coloque o que você puder perder". Nenhum desses atalhos responde a pergunta que importa: com essa verba, o negócio vai conquistar clientes com lucro?

## Por que "comece com um valor por dia" é um conselho ruim?

Porque um valor diário genérico ignora a margem, o ticket e o ciclo de venda do seu negócio. A mesma verba pode ser exagerada para uma loja de bairro e insuficiente para um e-commerce nacional, e o conselho não diz qual é o seu caso.

O problema aparece de dois jeitos. Quando a verba é baixa demais, a campanha não gera conversões suficientes para o algoritmo aprender, os resultados ficam instáveis e a conclusão costuma ser "tráfego pago não funciona para mim". Quando a verba é alta demais para a margem, o negócio vende mais e lucra menos, às vezes sem perceber.

| Atalho comum | O que ele ignora | Risco |
| --- | --- | --- |
| Um valor fixo por dia | Margem, ticket e volume de conversões necessário | Verba que não gera dados ou que gera prejuízo |
| Um percentual do faturamento | A meta de clientes e o custo para conquistá-los | Investir pouco quando há espaço para crescer, ou muito quando não há margem |
| "O que você puder perder" | Que a verba deveria gerar retorno, e não ser um gasto | Tratar o tráfego pago como aposta |

O percentual do faturamento pode até servir como teto: um limite do quanto a empresa aceita comprometer. Mas ele não diz quanto é preciso investir para atingir uma meta. Para isso, o ponto de partida é outro.

## Quais números eu preciso ter antes de definir a verba?

Cinco números: ticket médio, margem de contribuição, taxa de fechamento, recompra e capacidade de atendimento. Com eles, a verba deixa de ser palpite e passa a ser cálculo.

| Número | O que é | Onde encontrar |
| --- | --- | --- |
| Ticket médio | Valor médio de cada venda | Sistema de vendas, ERP ou planilha financeira |
| Margem de contribuição | Quanto sobra de cada venda depois dos custos diretos | Contabilidade ou planilha de custos |
| Taxa de fechamento | Quantos leads ou contatos viram venda | CRM ou registro do comercial |
| Recompra | Quantas vezes o cliente compra em um período | Histórico de vendas por cliente |
| Capacidade de atendimento | Quantos contatos o time consegue atender bem por mês | Rotina do comercial e do atendimento |

Se algum desses números ainda não existe, eu sugiro começar com uma estimativa conservadora e atualizar com dados reais depois do primeiro mês. O que não funciona é pular essa etapa: sem margem e taxa de fechamento, qualquer verba é um tiro no escuro.

A capacidade de atendimento costuma ser esquecida, e é ela que muitas vezes limita o crescimento. Não adianta calcular uma verba que gera o dobro de contatos se o time não consegue responder nem os que já chegam.

## E se o meu negócio ainda não tem esses números?

Comece com estimativas conservadoras e trate o primeiro mês como um período de medição. O objetivo desse primeiro ciclo não é bater uma meta de vendas, e sim descobrir quanto custa, de verdade, conquistar um cliente no seu negócio.

Para montar as estimativas iniciais, eu uso este caminho:

1. **Margem:** se não há planilha de custos, liste os custos diretos das cinco vendas mais recentes e calcule uma média.
2. **Taxa de fechamento:** se não há CRM, conte quantos contatos chegaram e quantos compraram nas últimas semanas, mesmo que de forma manual.
3. **Custo por lead ou por venda:** sem histórico próprio, comece com um custo máximo mais baixo do que a margem permitiria, para errar a favor do caixa.
4. **Verba do primeiro mês:** defina um valor que o negócio consegue investir sem comprometer a operação, mesmo que o resultado venha abaixo do esperado.

Ao fim do primeiro mês, substitua cada estimativa pelo número real. A partir daí, o método passa a trabalhar com os dados do seu negócio, e cada novo mês deixa o cálculo mais preciso.

O que eu não recomendo é usar médias de mercado como se fossem o seu número. Custo por lead e taxa de fechamento variam muito entre negócios do mesmo setor, porque dependem da oferta, da página, do atendimento e da região.

## Como calcular a margem de contribuição de uma venda?

Pegue o preço de venda e subtraia os custos que existem só porque aquela venda aconteceu: produto, frete, taxas de pagamento, comissões e impostos sobre a venda. O que sobra é a margem de contribuição, e é dela que sai o dinheiro para conquistar o cliente.

| Item | Exemplo hipotético |
| --- | --- |
| Preço de venda | R$ 250,00 |
| Custo do produto | R$ 100,00 |
| Frete pago pela empresa | R$ 20,00 |
| Taxas de pagamento | R$ 10,00 |
| Impostos sobre a venda | R$ 20,00 |
| **Margem de contribuição** | **R$ 100,00 (40%)** |

Custos fixos, como aluguel e salários da equipe, não entram nessa conta. Eles precisam ser pagos pela soma das margens de todas as vendas do mês. Por isso, eu nunca recomendo gastar toda a margem de contribuição para conquistar um cliente: alguma parte precisa sobrar para cobrir a estrutura e gerar lucro.

## Como definir o custo máximo por cliente?

É a parte da margem de contribuição que você aceita gastar para conquistar uma venda. Essa decisão depende de quanto o cliente vale ao longo do tempo: quem compra uma vez só permite um custo menor do que quem volta a comprar.

| Tipo de negócio | Como eu penso o custo máximo por cliente |
| --- | --- |
| Venda única, sem recompra | Uma parte da margem da primeira venda, deixando espaço para cobrir custos fixos e lucro |
| Venda com recompra frequente | Pode ser maior que a margem da primeira venda, desde que a recompra pague a diferença em um prazo que o caixa suporta |
| Serviço recorrente (assinatura ou contrato mensal) | Calculado sobre a margem dos meses em que o cliente costuma permanecer |
| Venda de ticket alto com ciclo longo | Calculado sobre a margem do contrato, considerando o tempo entre o primeiro contato e o fechamento |

O ponto de atenção da recompra é o caixa. Aceitar pagar mais na primeira venda porque o cliente vai voltar só funciona se a empresa aguenta esperar essa volta. Se o dinheiro investido em anúncio demora meses para retornar, isso precisa caber no fluxo de caixa.

Para negócios que vendem por lead, existe mais um passo. O custo máximo por lead é o custo máximo por cliente multiplicado pela taxa de fechamento. Se você aceita pagar R$ 160 por cliente e 20% dos leads viram venda, pode pagar até R$ 32 por lead.

## Como transformar o custo por cliente em verba mensal?

Multiplique o custo máximo por cliente pelo número de clientes que você quer conquistar no mês. Se o negócio vende por lead, multiplique o custo máximo por lead pelo número de leads necessário para atingir essa meta de clientes.

| Etapa | Fórmula |
| --- | --- |
| Leads necessários | Clientes desejados ÷ taxa de fechamento |
| Verba de mídia (venda direta) | Custo máximo por cliente × clientes desejados |
| Verba de mídia (venda por lead) | Custo máximo por lead × leads necessários |
| Verba no gerenciador do Meta | Verba de mídia ÷ 1,1383 |

O resultado das duas fórmulas de verba é o mesmo quando os números estão consistentes. A versão por lead é útil porque mostra a meta de volume que o comercial vai receber, o que ajuda a conferir a capacidade de atendimento.

Antes de aprovar o valor, eu confiro se ele faz sentido para o caixa da empresa. Se a verba calculada é maior do que o negócio consegue investir agora, a solução é reduzir a meta de clientes do mês, e não aceitar um custo por cliente acima do que a margem permite.

## Devo usar orçamento diário ou orçamento total da campanha?

Para campanhas contínuas, eu prefiro orçamento diário, calculado a partir da verba mensal. Para campanhas com data para acabar, como uma promoção ou um lançamento, o orçamento total da campanha costuma fazer mais sentido.

| Tipo de orçamento | Como funciona | Quando eu uso |
| --- | --- | --- |
| Diário | A plataforma busca gastar, em média, o valor definido por dia | Campanhas que rodam o mês inteiro, com verba mensal estável |
| Total da campanha | A plataforma distribui um valor fixo entre a data de início e a de fim | Promoções, eventos e lançamentos com prazo definido |

Para chegar ao orçamento diário, divida a verba mensal no gerenciador por 30. Lembre que as plataformas trabalham com médias: o Meta pode gastar acima do orçamento diário em alguns dias e abaixo em outros, equilibrando o valor ao longo do período. Por isso, eu acompanho o gasto acumulado da semana, e não o gasto de um dia isolado.

## Quanto o imposto do Meta muda essa conta?

Muda bastante. Desde 1º de janeiro de 2026, o Meta repassa PIS/COFINS e ISS na fatura do anunciante brasileiro, e o Gerenciador de Anúncios mostra os valores sem esses impostos. Quem calcula a verba sem esse ajuste gasta mais do que planejou.

Segundo o [comunicado oficial da Meta aos anunciantes](https://www.reformatributaria.com/wp-content/uploads/2025/09/Comunicado-oficial-Meta.pdf), os impostos somam 12,15% do valor pago, e um pré-pagamento de R$ 1.000 libera R$ 878,50 para anúncios. Na prática, comprar a mesma mídia ficou 13,83% mais caro.

| Ajuste | Como fazer |
| --- | --- |
| Custo máximo no gerenciador | Custo máximo real ÷ 1,1383 |
| Verba a configurar no gerenciador | Verba aprovada pelo financeiro ÷ 1,1383 |
| CPA real a partir do gerenciador | CPA do gerenciador × 1,1383 |
| ROAS real a partir do gerenciador | ROAS do gerenciador × 0,8785 |

Esse ajuste é específico do Meta, conforme o comunicado da empresa. Para outras plataformas, confira na fatura e na nota fiscal se existem tributos destacados além do valor da mídia, e aplique a mesma lógica se for o caso.

## A verba gera dados suficientes para o algoritmo aprender?

Essa é a pergunta que mais derruba planejamentos. Uma verba que cabe na margem, mas não gera conversões suficientes, deixa a campanha instável, e os resultados de poucas semanas não permitem nenhuma conclusão confiável.

Segundo a [Central de Ajuda da Meta](https://pt-br.facebook.com/business/help/269269737396981), um conjunto de anúncios entra em aprendizado limitado quando é improvável que receba cerca de 50 eventos de otimização na semana após a última edição significativa. Com isso, dá para estimar a verba mínima para um conjunto aprender:

| Etapa | Fórmula |
| --- | --- |
| Verba semanal mínima por conjunto | 50 × custo esperado por evento |
| Verba mensal mínima por conjunto | Verba semanal mínima × 4,3 semanas |

Se o custo esperado por lead é de R$ 30, um conjunto precisa de cerca de R$ 1.500 por semana para chegar a 50 leads, ou perto de R$ 6.450 no mês. Se a sua verba é menor que isso, existem três caminhos:

1. **Concentrar a verba em um único conjunto.** Dividir em vários deixa todos abaixo do volume necessário. Eu explico como estruturar a conta dessa forma no artigo sobre [o que o Andromeda mudou no Meta Ads](https://williampujol.com.br/blog/meta-ads-andromeda-2026).
2. **Otimizar para um evento mais frequente.** Um lead acontece mais vezes do que uma compra, por exemplo. O cuidado é acompanhar se esses eventos continuam virando venda.
3. **Aceitar mais instabilidade.** Campanhas abaixo do volume ideal podem funcionar, mas pedem mais tempo para avaliação e menos edições no caminho.

No Google Ads, os lances inteligentes também aprendem com as conversões registradas, e os recursos do AI Max dependem de lances baseados em conversão. Eu detalho esse ponto no guia sobre [o AI Max no Google Ads](https://williampujol.com.br/blog/google-ads-ai-max-2026).

## Como dividir a verba entre Meta Ads e Google Ads?

Pela intenção do seu cliente e, depois, pelo custo por cliente que cada plataforma entrega. Com verba limitada, eu concentro em uma plataforma até ela funcionar; só então divido.

| Cenário | Como eu divido a verba |
| --- | --- |
| Verba limitada, cliente que pesquisa pela solução | Concentrar no Google Ads (pesquisa) |
| Verba limitada, produto que precisa despertar interesse | Concentrar no Meta Ads |
| Verba que já sustenta as duas plataformas | Começar pela que tem a intenção mais forte e abrir a segunda com uma parte menor |
| As duas plataformas já rodando com dados | Mover verba aos poucos para a que entrega menor custo real por cliente |

A comparação entre plataformas precisa usar o mesmo critério. Compare o custo real por cliente, com impostos no caso do Meta, e de preferência com dados do CRM, porque cada plataforma atribui conversões do seu próprio jeito. No [guia completo de tráfego pago para 2026](https://williampujol.com.br/blog/guia-trafego-pago-2026), eu explico com mais detalhe como escolher a plataforma inicial.

## Como fica a conta em exemplos de negócios diferentes?

Os exemplos abaixo são hipotéticos e servem só para mostrar o método funcionando. Os números do seu negócio vão ser outros, mas o caminho do cálculo é o mesmo.

### Exemplo 1: serviço local que vende por lead no Meta Ads

| Item | Valor hipotético |
| --- | --- |
| Ticket médio | R$ 800 |
| Margem de contribuição | R$ 400 (50%) |
| Custo máximo por cliente | R$ 160 |
| Taxa de fechamento | 20% |
| Custo máximo por lead (real) | R$ 32 |
| Custo máximo por lead no gerenciador | R$ 28,11 |
| Meta de clientes no mês | 20 |
| Leads necessários | 100 |
| Verba real (com impostos) | R$ 3.200 |
| Verba no gerenciador | R$ 2.811,20 |

Repare no volume: 100 leads por mês são cerca de 23 por semana, abaixo dos 50 que a Meta indica para um conjunto sair do aprendizado limitado. Nesse caso, eu manteria um único conjunto, otimizando para lead ou conversa, e avaliaria a campanha num prazo mais longo, sem edições frequentes.

### Exemplo 2: e-commerce com recompra no Meta Ads

| Item | Valor hipotético |
| --- | --- |
| Ticket médio | R$ 250 |
| Margem de contribuição | R$ 100 (40%) |
| Recompra média | 2 compras por ano |
| Custo máximo por cliente na primeira compra (real) | R$ 70 |
| Custo máximo no gerenciador | R$ 61,50 |
| Meta de clientes novos no mês | 300 |
| Verba real (com impostos) | R$ 21.000 |
| Verba no gerenciador | R$ 18.448,50 |
| ROAS mínimo da primeira compra (real) | 3,57 |
| ROAS mínimo equivalente no gerenciador | 4,07 |

Aqui, 300 compras por mês dão cerca de 70 por semana, o que permite a um conjunto otimizado para compra sair do aprendizado. O ponto de atenção é o caixa: a margem da primeira compra é de R$ 100 e o custo aceito é de R$ 70, então a recompra é o que transforma esse cliente em lucro ao longo do ano.

### Exemplo 3: empresa B2B de ticket alto no Google Ads

| Item | Valor hipotético |
| --- | --- |
| Valor do contrato | R$ 20.000 |
| Margem de contribuição | R$ 8.000 (40%) |
| Custo máximo por cliente | R$ 2.000 |
| Taxa de fechamento | 5% |
| Custo máximo por lead | R$ 100 |
| Meta de clientes no mês | 5 |
| Leads necessários | 100 |
| Verba de mídia | R$ 10.000 |

Em vendas B2B, o ciclo costuma ser longo. Os leads de um mês podem virar contrato dois ou três meses depois, então eu avalio a campanha pelo custo por lead qualificado no curto prazo e pela taxa de fechamento ao longo do ciclo. Julgar só pelas vendas do primeiro mês leva a cortar uma campanha que ainda não teve tempo de mostrar resultado.

## Como acompanhar se a verba está funcionando ao longo do mês?

Com uma revisão semanal curta, sempre olhando os mesmos números. A verba planejada é uma hipótese; o acompanhamento mostra se ela está se confirmando e evita descobrir um problema só no fechamento do mês.

| O que eu olho toda semana | Pergunta que eu respondo |
| --- | --- |
| Gasto acumulado | O ritmo de gasto está de acordo com a verba planejada para o mês? |
| Custo real por resultado | O custo, com impostos no caso do Meta, está abaixo do máximo definido? |
| Volume de eventos | Os conjuntos estão gerando eventos suficientes para aprender? |
| Leads que viraram venda | A taxa de fechamento real está próxima da estimada? |
| Frequência e desempenho dos criativos | Algum criativo está se desgastando e encarecendo o resultado? |
| Capacidade do atendimento | O time está respondendo os contatos no tempo certo? |

Quando um número sai do previsto, eu procuro a causa antes de mexer na verba. Um custo por lead acima do esperado pode vir de um criativo desgastado, de uma página com problema ou de uma mudança recente na campanha, e cada causa pede uma ação diferente.

## Como a sazonalidade muda a verba?

A verba não precisa ser igual em todos os meses. Datas comerciais, períodos de alta procura no seu setor e épocas de menor movimento mudam tanto o custo da mídia quanto a disposição do cliente para comprar.

Eu planejo a verba anual em três camadas:

- **Base:** a verba que sustenta a captação de clientes nos meses normais, calculada pelo método deste artigo.
- **Picos:** reforços nos períodos em que o seu cliente compra mais, como datas comerciais ou a alta temporada do setor.
- **Vales:** meses de menor procura, em que pode fazer sentido reduzir a verba ou focar em ações de relacionamento com quem já é cliente.

Nos períodos de pico, a concorrência pelos mesmos espaços costuma aumentar, e o custo por resultado pode subir junto. Por isso, eu recalculo o custo máximo por cliente para essas datas, considerando o ticket e a margem do período, em vez de simplesmente repetir a verba dos meses normais com um valor maior.

## Quando aumentar ou reduzir a verba de tráfego pago?

Aumente quando o custo real por cliente estiver estável, abaixo do máximo e com o atendimento dando conta. Reduza quando o custo real passar do máximo por um período consistente e a causa não for algo pontual, como uma campanha nova em aprendizado.

| Sinal | O que eu faço |
| --- | --- |
| Custo real abaixo do máximo, estável por algumas semanas | Aumento a verba em degraus |
| Custo real abaixo do máximo, mas atendimento sobrecarregado | Mantenho a verba e resolvo o atendimento primeiro |
| Custo real subindo logo depois de uma mudança | Espero a campanha estabilizar antes de decidir |
| Custo real acima do máximo por várias semanas | Investigo oferta, página, criativos e rastreamento antes de cortar |
| Custo real acima do máximo sem causa identificada | Reduzo a verba e volto ao diagnóstico |

O aumento em degraus é importante. Grandes saltos de verba podem mudar a forma como a plataforma entrega os anúncios e elevar o custo por resultado. Subindo aos poucos, fica mais fácil identificar o ponto em que o custo começa a crescer mais do que o resultado.

## Como apresentar a verba para o sócio ou para o financeiro?

Com as premissas à vista, e não só com o valor final. Quando a verba aparece como um número solto, a discussão vira "está caro" ou "está barato". Quando ela aparece como resultado de um cálculo, a discussão passa a ser sobre as premissas, que é onde ela deveria estar.

Eu monto essa apresentação em uma página, com cinco blocos:

| Bloco | O que mostrar |
| --- | --- |
| Meta | Quantos clientes novos o negócio quer conquistar no período |
| Premissas | Ticket médio, margem de contribuição, taxa de fechamento e recompra usados no cálculo |
| Custo máximo | Quanto o negócio aceita pagar por cliente e por lead, já com impostos da plataforma |
| Verba | Verba real, verba configurada no gerenciador e orçamento total com gestão, criativos e ferramentas |
| Critérios de revisão | Em que condições a verba aumenta, se mantém ou é reduzida |

O último bloco é o que mais ajuda. Combinar antes que a verba sobe quando o custo real fica abaixo do máximo por algumas semanas, e cai quando passa do máximo sem causa identificada, evita decisões no impulso, tanto de cortar cedo demais quanto de insistir tempo demais.

Essa página também vira a base da conversa do mês seguinte. Em vez de discutir se o tráfego pago "funcionou", vocês comparam o que foi estimado com o que aconteceu e atualizam as premissas. Com alguns meses de histórico, a verba deixa de ser uma aposta e passa a ser uma decisão de investimento como qualquer outra.

## A verba de mídia é o único custo do tráfego pago?

Não. A verba de mídia é o maior custo, mas o orçamento total soma outros itens, e o planejamento precisa considerar todos eles para não haver surpresa.

| Item do orçamento | O que inclui |
| --- | --- |
| Verba de mídia | O valor pago às plataformas pelos anúncios |
| Impostos da plataforma | No Meta, PIS/COFINS e ISS repassados desde 2026 |
| Gestão | Honorário do gestor ou da agência, ou salário do profissional interno |
| Criativos | Produção de imagens e vídeos, quando não é feita internamente |
| Ferramentas | Software de CRM, rastreamento, relatórios e automação |

O custo máximo por cliente que eu calculei nos exemplos considera só a mídia. Se você quer saber o custo total de aquisição, some a esse valor a parcela de gestão, criativos e ferramentas dividida pelo número de clientes conquistados no período.

## Quais erros mais distorcem o cálculo da verba?

Os mais caros são os que fazem o número parecer bom no papel e ruim no caixa. Quase todos vêm de usar um dado incompleto em alguma etapa do cálculo.

1. **Usar o faturamento no lugar da margem.** O dinheiro para conquistar clientes sai da margem de contribuição, e não do preço de venda.
2. **Esquecer os impostos do Meta.** Sem o fator de 1,1383, a verba real fica maior do que a planejada.
3. **Ignorar a taxa de fechamento.** Um custo por lead que parece barato pode virar um custo por cliente caro quando poucos leads fecham.
4. **Contar com uma recompra que o caixa não aguenta esperar.** O retorno no longo prazo não paga as contas do mês.
5. **Dividir uma verba pequena em muitas campanhas.** Nenhuma delas gera volume suficiente para o algoritmo aprender.
6. **Esquecer a capacidade de atendimento.** Mais verba gera mais contatos, e contato sem resposta é verba desperdiçada.
7. **Julgar a verba em poucos dias.** Resultados de uma semana, em campanha nova, ainda estão sob efeito da fase de aprendizado.

## Então, quanto investir em tráfego pago?

O valor certo é o custo máximo por cliente que a sua margem suporta, multiplicado pelo número de clientes que você quer conquistar, ajustado pelos impostos da plataforma e conferido contra o volume de eventos que o algoritmo precisa. Qualquer número que pule uma dessas etapas é palpite.

Se eu tivesse que resumir o método em quatro passos: calcule a margem de contribuição, defina quanto dela você aceita gastar por cliente, transforme isso em verba pela meta de clientes e confira se essa verba gera dados suficientes para a campanha aprender. Depois, deixe os resultados reais do primeiro mês corrigirem as estimativas, e aumente a verba em degraus só quando o custo real estiver estável e o atendimento der conta.

## Perguntas frequentes

**Qual o valor mínimo para investir em tráfego pago?**

Não existe um mínimo universal. O mínimo útil é a verba que gera conversões suficientes para a plataforma aprender e para você tirar conclusões. No Meta Ads, a referência é cerca de 50 eventos de otimização por semana em cada conjunto de anúncios, segundo a Central de Ajuda da Meta. Abaixo disso, a entrega tende a ficar instável.

**Como calcular a verba de tráfego pago?**

Calcule a margem de contribuição de uma venda, defina quanto dessa margem você aceita gastar para conquistar um cliente e multiplique esse valor pelo número de clientes que quer no mês. No Meta Ads, divida o custo por cliente por 1,1383 para encontrar o valor equivalente no gerenciador, já descontados os impostos.

**Quanto da verba devo colocar no Meta Ads e quanto no Google Ads?**

Depende de onde está a intenção do seu cliente. Com verba limitada, concentre em uma plataforma até ela funcionar. Se o cliente já pesquisa pelo que você vende, comece pelo Google Ads; se ele precisa ser apresentado à solução, comece pelo Meta Ads. A divisão entre as duas deve seguir o custo por cliente que cada uma entrega.

**A verba de tráfego pago inclui o valor do gestor?**

Não. A verba de mídia é paga diretamente às plataformas. O orçamento total de tráfego pago soma a verba de mídia, os impostos repassados pela plataforma, o valor da gestão e eventuais custos de criativos e ferramentas.

**Quando devo aumentar a verba de tráfego pago?**

Quando o custo real por cliente está estável há algumas semanas, cabe na margem com folga e o atendimento consegue absorver mais contatos. Aumente em degraus e acompanhe o custo por resultado a cada aumento.

**Posso definir a verba como um percentual do faturamento?**

Pode servir como teto de orçamento, mas não como método. Um percentual do faturamento diz quanto você pode gastar, e não quanto precisa gastar para atingir uma meta de clientes. O cálculo pelo custo máximo por cliente responde a segunda pergunta.